quinta-feira, 16 de junho de 2011

Teatro pela internet: gostar ou não gostar?

O crítico Jaco Guinsburg descreve a expressão cênica como uma "tríade básica – o atuante, texto e público", sem a qual o teatro não teria existiria. Contradizendo a afirmação de Guinsburg, graças à globalização e à inclusão digital, você não terá mais que se lamentar por falta de dinheiro ou tempo. O site Cennarium foi criado com o objetivo de aproximar a sexta arte do público que não pode, por diversos motivos, estar presente ao teatro.
 A concepção do site surgiu durante uma conversa entre Harry Fernandes, diretor-executivo da Cennarium, e o pai. Eles falavam sobre espetáculos internacionais que, finalmente, estavam começando a vir para o Brasil. O pai de Harry previu que por causa das desigualdades aqui encontradas, boa parte do público jamais teria a oportunidade de assistir a espetáculos como esses.



Foi quando Harry encontrou um meio de colaborar para a redução dessas diferenças. Se a maioria da população não tem como ir ao teatro, a solução seria levar o teatro até ela. Foi assim que, em 2010, nasceu o Cennarium, exatamente em 27 de março — Dia Internacional do Teatro.


A frase “luz, câmera, ação” não é mais usada apenas em sets cinematográficos. Agora também pode é usada nos palcos. “Nós gravamos, você se cadastra no site, compra a peça e assiste, simples, não?”  É assim que a página explica o seu funcionamento.
Separadas nas categorias comédia, dança, drama, infantil, musical, conhecimento e até mesmo a nova modalidade stand up, as peças podem ser encontradas para compra e serem assistidas quando o público quiser. Cada obra tem a sinopse, um breve resumo sobre o conteúdo e ficha técnica e de produção especificados abaixo. Ao lado direito da tela, tem o “conteúdo relacionado”, com um vídeo de making off e entrevista com os atores. Um pouco mais abaixo, há um espaço reservado para fotos do espetáculo. 


A maioria das apresentações conta com atores brasileiros consagrados, como Renata Sorrah, Eduardo Moscovis e Luana Piovani. Os vídeos são exibidos com closed caption — a legenda que pode ser acionada por quem está assistindo, em quatro idiomas. Também possui alta qualidade de áudio e vídeo.


O “ingresso” para as peças, chamado de crédito, varia de R$ 10,00 a R$ 30,00. Mas para quem quer assistir a mais de uma, o portal oferece várias opções de assinaturas, que podem ser mensais, trimestrais, semestrais ou anuais. O plano mais barato, Cenna Real, custa R$ 12,40 e disponibiliza quatro apresentações por mês. O Cenna Smart custa R$ 17,11 e permite que o assinante assita a seis peças. Existe também o Cenna Vip, que libera oito peças por R$ 21,08. E para quem quer ser fã de carteirinha, o plano Cenna Premium permite assitir dez peças por mês ao custo de R$ 24,80. O pagamento pode ser feito com cartões de crédito Visa, Master Card, American Express ou Bradesco. Outra forma é por boleto e transferência bancária.


O site possui a TV Cennarium, em que uma equipe de jornalismo realiza entrevistas com os atores e diretores, making off das apresentações e traillers para quem quiser dar aquela conferida caso esteja com dúvida sobre qual comprar.
Inovadora em todos os sentidos, a página possui conecção com as mídias sociais. E-mail, Twitter, Facebook, Orkut, Yahoo e outros, meios de manter contato com os clientes sempre. Mas para quem ainda não entrou na era das redes sociais, o site conta com um chat online de segunda a sexta, das 9 às 18 horas, e um telefone para contato. 


Você tem um negócio e não sabe como divulgá-lo? A Cennarium conta com soluções de acordo com as estratégias de Marketing de cada cliente, enviando um consultor comercial e criando propagandas que podem ser exibidas em salas exclusivas ou sessões gratuitas.
O portal conta com o apoio de dois blogs. O blog Cennarium é institucional e contém posts sobre os trabalhos realizados pela equipe. O outro é o Teatro Café, onde são postados textos sobre peças, livros, promoções, cursos e cultura em geral. Ambos são abastecidos pela atriz Luisa Fischer.


Uma das vantagens de assitir peças em casa é poder ficar de pijama, esparramado na cama ou na cadeira e com um balde de pipoca, já que no teatro não é permitida a entrada com alimentos (e nem de pessoas trajando roupas de dormir). Um a 0 para o portal.
Peça comprada, familia reunida e acomodada no sofá. E agora? Basta acessar o  perfil pessoal no portal Cennarium,  apertar o play e não esquecer de desligar celulares, telefones e campanhias e pedir para que o cachorro pare de latir. Ai está uma desvantagem. O mundo lá fora não vai parar só porque você quer silêncio absoluto. Nossas casas não possuem a estrutura fisica e acústica de um teatro. Empatou, 1 a 1.
Pronto. Você fechou as portas, janelas e conseguiu o máximo de silêncio possível. Mas, perai! Cadê as pernas do ator? Aí vem outro ponto negativo para o site. As peças são gravadas em close, para que em algumas cenas possamos ver de perto a fisionomia dos atores. Mas faz com que deixemos de ver todo o cenário, a reação dos outros atores que estão em cena e, claro, as partes debaixo. 2 a 1 para o teatro.
Em cima da tela que aparece o vídeo, existe a opção “apagar a luz”. Quando ativada, o que possui em volta da tela some, ficando somente a peça. Mas a barra de menus e de endereços que encontramos em todo e qualquer navegador fica ali. E atrapalha. Outra coisa. Dependendo do tamanho do monitor de seu computador, a tela da peça fica cortada na parte de cima ou na parte debaixo, fazendo com que você tenha que ajustar o seu tamanho. 3 a 1 para o teatro.
Eu poderia redigir várias outras críticas ao portal e não trocaria uma boa e bela apresentação no Teatro Municipal. Mas não posso negar que o objetivo do site é bom e pode trazer cultura para aqueles que não têm o costume ou simplesmente não têm a oportunidade de frequentar teatros.

O cara do "Cala a boca, Galvão"


Talvez você não o conheça pelo nome Mauricio Cid Fernandez Morais. Os amigos mais chegados o chamam de Cid, apenas, mas mesmo assim talvez você não saiba quem ele seja. Mas se falarmos Cid, do blog Não Salvo, e você tiver entre 14 e 20 e poucos anos, com certeza saberá de quem se trata.

Cid tem 25 anos e é formado em Administração e Ciência da Computação, apesar de não exercer nenhuma das profissões. Ele se classifica como analista de mídias sociais, por acompanhar o crescimento desse meio de comunicação desde o início, no Brasil. Engraçado e irreverente, consegue encontrar graça até nos acontecimentos mais sérios. 

Responsável por responder vários processos e até ter sido investigado pela Polícia Federal, não tem medo do que posta em seu blog. “Nunca perdi nenhum, tudo o que posto é zoeira. Não tenho a intenção de ofender, nem atingir ninguém”.

Seu blog é um dos mais populares do momento. Chegou a ser citado duas vezes no jornal The New York Times e uma no El Pais, da Espanha, no auge da Copa do Mundo de 2010, por ter lançado o vídeo intitulado “Cala a boca Galvão”, onde o narrador conta a história de um pássaro, chamado Galvão, que está em extinção por ter suas penas arrancadas para serem usadas nas fantasias de carnaval e pedindo para que as pessoas ajudassem twittando a mensagem “Shut up Galvao”, que com isso R$ 0.10 seriam doados para a Instituição. Até mesmo o narrador esportivo Galvão Bueno, inspirador do vídeo, acabou entrando na brincadeira. “Estou na campanha e sério!”. Tudo não passava de uma piada, que acabou tomando proporções internacionais. “A maior piada interna de um país inteiro”, como ficou conhecida entre os internautas.

Ao acessar o site pela primeira vez, caso você seja uma pessoa muito religiosa, pode estranhar. O símbolo é uma imagem de Jesus totalmente atual. Ao invés do coração, carrega um mouse em chamas no meio do peito, uma fitinha de Senhor do Bonfim cor-de-rosa em um dos pulsos e com a outra mão, faz um sinal moderno que grande parte dos jovens costumam fazer para tirar fotografias.

Vestindo uma camisa polo comemorativa dos 100 anos de seu time do peito, Corinthians, ele bateu um papo descontraído com a revista Enter, na praça de alimentação do shopping Pátio Iporanga, em Santos.


Revista Enter : Como surgiu o blog?


Cid: O blog surgiu em 2008, com a ideia de pegar noticias de fofoca sobre famosos e fazer piadas. Mas não deu certo. Mudei o foco e, normalmente, posto tudo o que eu acho engraçado e interessante. Este é o critério para o vídeo ou a imagem ir para o blog. Se eu gostar, eu posto.

E: De onde vem o conteúdo dos posts?

Cid: Recebo centenas de e-mails, todo dia, com uma diversidade enorme de assuntos. Filtro-os e coloco os que eu julgo melhores. Existe um site americano onde qualquer pessoa pode postar qualquer tipo de material. Alguns também pego de lá.

E: O blog apresenta a imagem de um Jesus totalmente estilizado. Porque e quais problemas você já teve por conta disso?

Cid: Eu queria que o template do blog fosse marcante, que as pessoas que entrassem uma vez guardassem, e quando voltassem acessar tivessem a impressão de “eu já estive aqui antes”. E acho que deu certo. Recebo de quatro a cinco e-mails todos os dias de religiosos fanáticos dizendo que eu vou para o inferno, que Jesus não me ama. Eu nunca fiz piada com a imagem de Jesus. Sou católico. Só queria algo diferente, marcante. Nunca tive a intenção de ofender ninguém.

E: Já teve algum problema mais sério com o conteúdo de algum post?

Cid: Já respondi alguns processos sim. Mas, como não tinha nada demais, ganhei todos. Só estou com receio de um que o Santos Futebol Clube ameaçou fazer por conta de uma brincadeira, que o jogador Ganso seria vendido para o Corinthians. Se eu perder, não tenho nem noção de quanto vão me cobrar. Corro até o risco de ser obrigado a tirar o blog do ar. Se isso acontecer, pedirei R$ 1,00 de cada leitor para ajudar a pagar o processo. (risos)

E: De quem foi a ideia do vídeo “Cala a boca Galvão”?

Cid: Um amigo meu fez o vídeo e eu publiquei no site. Achei a ideia criativa e o vídeo foi muito bem montado, com imagens do Chico Xavier como se fosse o dono da Instituição e tudo mais. (risos)

E: A proporção da brincadeira chegou a níveis internacionais. Você teve algum problema com isso?

Cid: Não, nenhum. O jornal NY Times chegou a publicar uma matéria falando sobre a campanha e o próprio Galvão Bueno entrou na brincadeira.

E: Você, como analista de mídias sociais, como classifica a evolução do Brasil nesse aspecto?

Cid: Países como os Estados Unidos têm percebido a capacidade brasileira de se conectar a Internet. Aqui é o país que mais possui gente conectada, por mais tempo. E isso tem feito com que recebamos cada vez mais investimentos na área da tecnologia e por meio das mídias sociais.